sexta-feira, 15 de julho de 2011

Viajando a Paris (Parte 3)

Você sabe quanto está uma viagem a Paris? Pela CVC, 9 dias em Paris saem por R$3341,52. E isso pode ser pago em várias vezes, no cartão. Sabem porque falo isso? Para que você veja que viajar para a Europa, para a França, para Paris, não é impossível...

http://www.cvc.com.br/site/turismo/1,87,,n,paris - preços de hoje - 15 de julho de 2011

E para fazer o passaporte? http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/requerer-passaporte

O segundo passo é obter o visto no Consulado da França, que em Curitiba, fica nesse endereço:


Consulado Honorário da França em Curitiba - PR

Rua Fernando Amaro, 154 - 1º andar - Sala 13 - Maison de France - Espaço "A Fábrika" - Alto da XV
CEP 80045-080 - Curitiba - PR
telefone/fax (0xx41) 3024-0841
Expediente: 5ª feiras das 9:30 às 12:30h

Viu? Nem é tão impossível assim....agora, continuemos com nossa "viagem". No último post, paramos em frente à Eglise Saint Denys. Dali, vamos seguir pela Avenue de la République, em direção ao Sul. Eu olho para trás, e vejo a eglise ficando cada vez menor:


Agora não há muito que ver, já que há muitas árvores e arbustos encobrindo as casas. Mais uma quadra, e chego a uma grande rotatória, chamada de Rond-point du Christ. Ali, faço a volta e sigo pela Avenue de Stalingrad. Essa Avenue irá me levar em direção a Paris (estou perto do Le Bourget, o antigo Aeroporto). Segundo um mapa que vi, essa é a área mais pobre de Paris, onde vivem os imigrantes e os habitantes de baixa renda (ganham 16 mil euros/ano). Só vejo mato e um pequeno símbolo, na beira da estrada. Acho que alguém morreu acidentado ali, e fizeram como fazem no Brasil:


Logo vejo uma grande estrutura. Pensei que fosse um shopping, mas é a Brico, uma loja que tem desde móveis até materiais elétricos e hidráulicos, e outras coisas, para construção:  


Depois, passo por um viaduto e continuo pela Avenue de Stalingrad. Percebo casas simples, mas todas de material. E, em seguida, uma cena interessante: o Groupe Scolaire Jean Jaurès, também conhecido como Ecole Elémentaire. Jean Jaurès (1859/1914) foi um dos fundadores, em 1902, do Partido Socialista Francês, e foi assassinado no início da Primeira Guerra. Agora, cede seu nome a uma Escola Primária. E percebo que a mulher que leva a criança para a escola usa um hijab (véu) na cabeça, demonstrando ser muçulmana. Se levarmos em consideração que essa é uma área de imigrantes empobrecidos...


Engraçado. Agora tenho a sensação de estar no "mundo real", pois vejo mães levando seus filhos à escola, carros parados na frente das casas, pessoas andando, esperando ônibus, caminhando, roupas nos varais..Até agora, esse cotidiano não estava ainda tão visível...Mas aqui, sinto isso. Agora, chego à esquina com a Avenue du Général de Gaulle, onde fica o Lycée Simone de Beauvoir (foto abaixo):


Definitivamente, estou na França. Charles de Gaulle e Simone de Beauvoir são dois nomes importantes, na cultura francesa. E a Avenue de Stalingrad continua. Duas coisas que percebi aqui: há muitos muçulmanos (vi vários) e empresas de automóveis (Renault, Fiat, Wolkswagen e Suzuki). E agora encontrei um McDonald's em Paris: 


Esse fica na Avenue de Stalingrad, bem em frente ao Val-d'Oise.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Viajando a Paris (Parte 2)

Gostou de nossa "viagem" a Paris? E que tal continuarmos? Lembrando que, na parte 1, saímos do Aeroporto Charles de Gaulle, e nos dirigimos para o cetro da cidade, chegando à Rue de Paris, em frente a um pigeonnier (pombal). Vamos seguir daí em diante.

Uma quadra depois do pigeonnier, chego a um cruzamento: ao Norte, a Avenue Robert Schuman; ao Sul, a Rue Nungesser et Coli; a Leste, a Rue de Paris e a Oeste, a Avenue Raymond Rambert, que é para onde irei.


Logo no início da Avenue Raymond Rambert, vejo várias lojas, do lado direito. Entre elas, o Cafe-Bar-Restaurant Mediterranee (foto abaixo), e percebo que não é tão difícil se localizar, por aqui. O trânsito, as ruas, o comércio, me lembram muito o que tenho de referência, no Brasil. Então, fica tudo mais fácil...


Mas uma coisa que é diferente, e acho que completa o encanto que Paris exerce sobre as pessoas, é o estilo arquitetônico. Observe, na foto abaixo, essa casa, que fica do lado esquerdo da Avenue Raymond Rambert. Os tijolos ao redor das janelas, as janelas de cima, redondas, as chaminés, tudo parece nos remeter à outra época, outra era...e isso só é possível num país que tem longa história, e a preserva...


Depois dessa casa, a rue por onde estou trafegando, fica mais bonita, cheia de árvores, arbustos e flores. Acho que a jardinagem é um dom dos franceses, e logo lembro dos jardins de Versalhes. Observe a foto abaixo. Essa calçada fica à margem da Rue Raymond Rambert, alguns metros depois da casa que vimos na outra foto. Veja o cuidado com que os franceses cuidam de suas calçadas...


Agora, cheguei ao fim da Rue Raymond Rambert. Daqui em diante, ela passa a se chamar Avenue de la République. Continuo no sentido Oeste. Passo por uma rotatória, vejo um posto da Esso do lado esquerdo, um sobrado do lado direito, e sigo em frente. Ao lado dessa avenue, tem uma rue, a Rue du Professeur Esclangon, que a acompanha de forma paralela:


Paris tem alguma coisa de pitoresca, nessa região. Se você olhar de forma geral, não percebe muito. Mas, quando olha os arbustos, as construções, as grades, as cercas, os detalhes, começa a sentir um pouco da atmosfera dessa cidade...

Cheguei a outra rotatória, onde há uma fonte, chamada Fontaine à Arnouville-lès-Gonesse. Segundo a Wikipédia, Jean-Baptiste de Machault de Arnouville (1701/1794) trabalhou em diversas funções, no Governo do Rei Luis  XV. Seu nome foi dado ao município de Arnouville, e a fonte é um de seus monumentos históricos, tendo sido construída em 1745.


Abaixo, a Fontaine à Arnouville-lès-Gonesse:




Logo que passo a rotatória, vejo uma brasserie, a Brasserie de La Fontaine. Para os franceses, uma brasserie pode ser tanto um restaurante como uma cervejaria. e nessa brasserie tem a marca da cerveja Heineken. Você pode pedir uma cerveja Heineken e sentar-se numa daquelas mesinhas, que ficam do lado de fora. Repare na rotatória, ao fundo:


Vamos seguir em frente. Nesse trecho, a Avenue de la République vira uma viela, com sobrados fechando ambos os lados, e pouca visibilidade para além. Uma quadra depois, outra rotatória. Começo a achar que franceses adoram rotatórias, ou as ruas da cidade são muito complexas, por isso tantas...Viro a direita na rotatória e fico diante de mais um ponto turístico da região, a église Saint Denys.


 Como você pode ver, tirei essa "foto" como se estivesse na rotatória. A rua que está na minha frente é a Avenue de la République. Essa viela onde estão os carros estacionados é a Rue du Ratelier. As placas indicam a eglise, que foi construída em 1782 por Jean-Baptiste Chaussard, e o cheteau (castelo), que fica mais adiante. Esse chateau era a residência de Jean-Baptiste de Machault de Arnouville:




E com esse trio de locais turísticos (a fontaine, a eglise e o chateau), terminamos a segunda parte de nossa viagem...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Viajando a Paris (Parte 1)

Outro dia, realizei uma "viagem no tempo virtual", e fui para o ano de 1811, cem anos no passado. Hoje, vou realizar uma viagem no espaço, e vou "conhecer" Paris, capital da França...

Primeiramente, temos que viajar de avião até a França, e desembarcar no Aeroporto Charles de Gaulle:


Sairemos do Aeroporto pela Route des Baudauds, em direção oeste. Observo o estacionamento à minha esquerda (na foto acima), mas ainda não tive a sensação de estar na França...Um pouco mais à frente, chego a um viaduto, a outro, e vejo uma placa, indicando que a a rodovia A1 me levará a Paris...voilá! Estou na França!!!! Agora, vou em direção à Avenue Charles de Gaulle:


Essa foto foi tirada logo no início da Avenue Charles de Gaulle. A rua que você vê à esquerda é a Aillée du Verger. A gente dá uma voltinha (há uma "ilha") e segue em frente. Interessante: apesar de estar na capital do país, a sensação que tenho, ainda, é a de estar numa cidadezinha do interior. Olhe a foto abaixo. Não parece uma cidadezinha menor? Mas é o início da Avenue Charles de Gaulle. Vamos adiante:


Vejo o Restaurant Japonais Oishii (direita), a Chemin de Montmorency (rua, à direita), o Bar Le Grill (esquerda), e percebo que há algo estranho...estou na contramão!!!! Entro por uma viela, para sair em outra rua. É a Rue Claude des Mesmes (foto abaixo), que desemboca na Rue Chalot:


Ambas são ruas com calçamento de pedra, que dão um ar pitoresco ao local. As casas têm aparência de antigas, mas os carros, parados em frente, são bem modernos. Ando mais um pouco e saio na Rue Houdart, que segue na direção que procuro (oeste). Passo pelo Petit Casino, uma espécie de mercearia, que expões frutas na frente da loja, em frente ao Moonsushi, e perto da Rue Dorval. Paro na esquina e observo:


À esquerda, fica a Rue Dorval. Em frente, segue a Rue Houdart, em direção ao centro, e à direita, é a Rue Jean Moulin. As construções são tipicamente francesas...sigo em frente...vejo uma "pharmacie" (direita) e vários casarões antigos...a sensação de estar numa cidade do interior permanece...agora, chego a um cruzamento: a Rue Houdart se encontra com a Charles de Gaulle...ótimo!


Na foto abaixo, a Charles de Gaulle é a da esquerda, e eu vou seguir em direição à direita. A "eglise" ("igreja") que você vê ao fundo é a Roissy en France (um dos pilares dessa igreja é de 1574):


Estou novamente na Charles de Gaulle, que agora é que se torna avenue. Até então, era rue...E, repentinamente, vira rue novamnete...que confusão! Mas, sigo em frente, e vendo que Paris não é muito diferente, pelo menos até aqui, do que eu conheço no Brasil. Vejo algo com o nome Volvo, e logo em seguida saio numa área de plantações...pelo que entendi, Roissy en France é uma espécie de subúrbio ou algo assim, a leste de Paris...


Como você vê, é um trecho sem construções, apenas campos arados e plantações. Calculo que deve ter uns 2,5 Km. Finalmente, vejo algo: é o Grill du Relais (um restaurante), à direita. Agora, viro à esquerda, para seguir para Paris. Sigo a Route de Flandres, passo pelo Hotel Ibis Gonesse (esquerda), e mais à frente viro à direita, para sair na Route Départementale. Sigo em frente, até a rotatória, e saio na Rue Nungesser et Coli, viro à direita na Rue Berthelot e sigo até a Rue de Paris:


É nessa rua que fica o Hôtel de Ville e o Pigeonnier:


O Hôtel é, na verdade, a Câmara Municipal de Gonesse, nome dessa região onde estou. Não é um hotel para se hospedar...


E o Pigeonnier é, na verdade, um pombal, local destinado à moradia das pombas (pigeons). Eles eram construídos para que se "prendessem" as pombas na época de semeadura, e também para recolher o esterco delas...

Vou parar nossa "viagem" por aqui. Num outro post, continuamos, ok?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Que Significa "Cativar"?



E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

Sinto-me responsável por todos aqueles que eu cativei, ou que me cativaram. Isso é fácil? Não. Por vezes deixo de cuidar bem de cada um, com carinho e atenção que merecem. Mas cada amigo é para mim algo inestimável. É a grande oportunidade de aprender e de crescer como pessoa.Há pessoas que são um equívoco, que talvez eu não soubesse cativar, ou que talvez eu reconhecesse nelas as minhas fraquezas e defeitos, e sendo assim eu descartei, deixei de lado de uma vez. Outras o tempo e espaço separaram, mas são como o trigo para mim, uma simples recordação me remete aos bons momentos juntos.Eu amo todos que me cercam. Gostaria que todos soubessem, caso eu não tenha dito. As palavras, às vezes ficam travadas em nossa garganta, simplesmente não saem. Mas quando me encontrar, saiba que é com um grande abraço que retribuirei tua amizade.


Fonte: http://colardelivrespensamentos.blogspot.com/2006/09/o-pequeno-prncipe-e-raposa.html

terça-feira, 17 de maio de 2011

Voltando no Tempo

Como Professor de História, sempre "volto no tempo", para a época e o lugar que eu quiser...posso ir para o Egito Antigo, ou para a ágora de Atenas, como também posso visitar o Palácio de Versalhes ou o Muro de Berlim.

Mas, como todo Professor de História, aliás, como toda pessoa, tenho minhas predileções. E uma delas é a História Cultural do Século XX. Acho fascinante imaginar como deveria ser viver há 100 anos, quando tudo era mais difícil, mas também parecia que havia mais "tempo". Hoje, decidi fazer isso: uma viagem no tempo, ao ano de 1911, quem sabe ao mês de maio, e vim buscar você, para "viajar" comigo. Vamos?

Primeiramente, vou entrar na Wikipédia, digitando o ano de 1911...pronto! Deixe-me ver o que tem aqui...

Ronald Reagan (ex-Presidente dos EUA) e Josef Mengele (carrasco nazista) nasceram nesse ano. Os atores Paulo Gracindo e Mário Lago (já falecidos), também.

Entrando na seção Cinema, descubro que as atrizes Jean Harlow e Ginger Rogers também nasceram em 1911. Na seção Literatura, descubro que Emiliano Perneta foi "eleito", no Passeio Público, como "príncipe dos poetas paranaenses". Também descubro que nasceram, nesse ano, o escritor Teneessee Williams (escreveu Gata em Teto de Zinco Quente). Na seção Música, descubro que nasceram Nelson Cavaquinho e Assis Valente, em 1911. Os astros da televisão, Lucille Ball e Roy Rogers, também...

Mas não entrei aqui para fazer lista de nascidos. Meu objetivo é compreender como era a vida, naqueles tempos. Então, vejamos:

Já sei que existia o Passeio Público de Curitiba, em 1911. Será que consigo fotos? Entrei no Google Imagens, e olhem o que eu descobri:


Em 1911, o poeta Emiliano Perneta escreveu Ilusão. E foi homenageado, no Passeio Público, por essa multidão, que você vê na foto, como "príncipe dos poetas paranaenses" (quem era o rei???). É interessante vermos que tanta gente foi ao Passeio homenagear alguém que, cem anos depois, nem é conhecido. Também é interessante vermos a quantidade de chapéus, na foto. Lembre-se: não se saía sem chapéu, de casa, em 1911...

Fonte: http://manifestotavernista.blogspot.com/2010/03/uma-noite-na-taverna-com-poesia-de_29.html

Em outra fonte, descubro que o Passeio Público foi inaugurado em 1886, e que seu portal foi construído em 1913. Em 1911, portanto, ele não existia. Também descubro que ele é uma réplica da entrada do cemitério de cães, em Paris (adorava-se tudo que era francês, inclusive portões de cemitérios de cães).

Fonte: http://jornale.com.br/wicca/?p=1542

Vamos parar de falar do Passeio Público, e vamos a Paris..E, por falar em cães, achei uma foto de uma mulher, passeando no Bois de Boulogne, plena Paris, em 1911, com seus cãezinhos, que ainda não tinham ido para o cemitério de cães...será que depois eles foram?


Percebi uma coisa: já haviam fotos simples, sem ser de pessoas famosas, em 1911. Também haviam automóveis, bem estranhos, e as mulheres ainda usavam vestidos compridos e chapéus. Paris já ditava modas, nessa época...

E os chapéus faziam parte dessa moda. Olhe essa foto, tirada em 1911. A mulher sentada é a Rainha Mary (1867/1953), esposa do Rei George V. Foi coroada em 1911 e era mãe do Príncipe Edward. Ele chegou a ser coroado Edward VIII, mas abdicou por uma plebéia. Graças a isso, seu irmão George assumiu o trono, como George VI e a filha deste, Elizabeth seria a atual Elizabeth II. Ou seja: se não fosse uma plebéia, hoje você não poderia assistir ao casamento do Príncipe William com a Kate, mesmo porque eles nem seriam tão importantes....Essa senhora sentada, posando para uma foto, no ano em que foi coroada Rainha, é tataravó do Príncipe William...


Poderia ficar aqui horas, falando sobre o ano de 1911. Mas, acho que o post ficaria chato. Quem vai gostar de ver essas fotos é o Professor Flávio, que gosta muito de fotos antigas. Viajar no tempo é, realmente, uma experiência fascinante, e fica ainda melhor com a tecnologia a nosso dispor...Viu como podemos descobrir assuntos, facilmente?

Ha! Se você souber quem é o "rei dos poetas paranaenses", me avise, ok? Ganha um bombom...^^

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sobre essas e outras...

E abril já está terminando...Estou aqui, no primeiro dos meus quatro dias de folga, "matutando" sobre a vida, e pensando em tudo que já vi e vivi nesse ano...Nossa! Nem parece que se passaram apenas quatro meses...Parece tão mais longo, esse comecinho de ano...Já vimos e vivemos acidentes (Japão), guerras e deposições, (Líbia e Egito), a fúria das chuvas (Rio de Janeiro e Paraná), tragédias (Realengo)...Talvez seja essa quantidade de fatos inusitados que tenha dado essa sensação de que se passou tanto tempo. Mas, de uma forma ou de outra, parece que está acontecendo "tudo de uma vez, agora", sabe como é?

Eu sempre costumo dizer que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", e que esse papo de "deixa a vida me levar" me passa a sensação de que a pessoa não tem iniciativa, não tem garra, não tem força de vontade...Talvez, por isso mesmo, quando me deparo com coisas inexplicáveis, como a morte de crianças, fico com a sensação de inutilidade, de que era inevitável...E será mesmo? Será que não podemos fazer nada para mudar esse quadro de situações?

Se as pessoas não morassem nas encostas de morros, talvez as tragédias não fossem tão grandes, quando viesse a época das chuvas; se as pessoas fossem avisadas a tempo, não tivessem tantas mortes por tsunami, na banda oriental; talvez, se educássemos melhor as nossas crianças, não tivéssemos tragédias como a que presenciamos no Rio de Janeiro...Talvez...

A questão que me preocupa é a de que há uma sensação de descaso no ar. Há pessoas que andam cabisbaixas, com o peso da modernidade nas costas, alheias a tudo que as cerca. Há aqueles que até levantam a cabeça, quando algo novo acontece, seja bom ou ruim. Mas, em seguida, abaixam novamente a cabeça, e seguem a caminhada, que nem sabem onde termina.

Por outro lado, há aqueles que erguem a cabeça, despertam de sua sonolência, e percebem que chegou a hora de fazer alguma coisa: lutam contra o cansaço, erguem a cabeça, e começam a agir...É dessas pessoas que precisamos, mais e de forma urgente. Pessoas que estejam dispostas a se doar um pouco mais, pelo bem do próximo e de si mesmas. E essas pessoas estão por aí, aos montes, apenas precisando de um empurrãozinho, ou de quem as escute. Precisa que lhes seja dada a voz, para que gritem: "quem sabe faz a hora, não espera acontecer"!

Nosso jovens precisam de limites, de modelos a ser seguidos, de "super-heróis" de carne e osso, não desses que voam, mas desses que lutam contra o que está estabelecido, mas de forma errônea. O que fazemos, quando vemos cenas de violência nas escolas?

Eu costumo dizer que não procuro "culpados" nos fatos que se sucedem, porque o tempo que gastamos investigando e apontando culpas, é um tempo precioso, que acredito que deva ser gasto para prevenir, preparar, educar, para que fatos hediondos, horrendos e estarrecedores, não se repitam.

Se a culpa precisa existir, mais importante ainda é que exista a expiação: vamos tentar reparar os erros, não do mundo, não do estado ou da cidade, mas dentro de nossas casas...O que dizer de uma mãe que fica sabendo que a filha andou dormindo na casa de pessoas estranhas, com pessoas estranhas, e fazendo coisas estranhas para sua idade?

Ou daquela mãe ou pai, que toma ciência que o filho apanhou, e querem bater no menino que agrediu seu filho? Isso é uma solução ou o agravamento do que vemos por aí? Há pais que ensinam que se seus filhos forem agredidos, devem revidar; há pais que falam palavrões, e cometem atos estranhos, na frente de seus filhos, e depois "não sabem" de onde veio a falta de educação dos mesmos...

Resolvemos tudo, agindo com pulso firme, impondo limites, dando educação para nossos filhos, se os outros não fazem o mesmo? Não...E é por isso que, além de educar os nossos, precisamos mostrar o exemplo, e auxiliar os que não o fizeram...Isso se chama solidariedade, voluntariado, apoio...Talvez, estejamos entrando numa era onde o apoio, a união, estejam desaparecendo...Cada um atrás de seu computador, apenas escrevendo em blogs, mas não agindo na vida real. Se nos isolarmos, estaremos resolvendo os problemas? Ou será que temos que nos ver mais, nos falar mais, trocar mais idéias?

Na Grécia, antiga, havia a ágora, que era o lugar onde a população se reunia para debater assuntos e buscar soluções. Ouso dizer que hoje, nessa era de revoltas e violências, de desastres e problemas "insolúveis", precisamos de uma ágora, urgente. Quem sabe as escolas, que hoje parecem ser separadas das comunidades, possam exercer esse papel de ágoras modernas, congregando as comunidades a trocar idéias, fortalecer laços, educar os filhos, e não apenas servir de palco para tragédias ou entrega de leite...

Fica aqui a idéia: façamos da escola uma ágora, um local de debate permanente, sem distinções d eidade, sexo, religião, partido político ou time de futebol...A hora é de nos unirmos, e não de nos separarmos.