terça-feira, 6 de setembro de 2011

MPB - 1931

Em 1931, Chaplin faz o filme Luzes da Cidade, 




Bela Lugosi faz o filme Drácula, 




é concluída a construção do Empire State Building, em New York, 




e é inaugurado o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro:




Nesse cenário de inaugurações e grande produções cinematográficas, o que as pessoas ouviam? Como é o cenário musical brasileiro e mundial? Primeiramente, vamos ver "quem é quem":


Chiquinha Gonzaga tem 84 anos, Ernesto Nazareth tem 67 anos, e está cada vez mais surdo e mentalmente instável, devido à sífilis. Catulo da Paixão Cearense também tem 67 anos, Pixinguinha tem 34 anos e já compôs Carinhoso, Francisco Alves tem 33 anos e canta Se Você Jurar (Ismael Silva e Nilton Bastos) com Mário Reis, que tem 24 anos. Abaixo, os dois cantores:




Moreira da Silva tem 29 anos e começa sua carreira, cantando Ererê e Rei da Umbanda.Clementina de Jesus e Bidu Sayão também têm 29 anos, Ary Barroso (foto abaixo) tem 28 anos e compõe No Rancho Fundo, com Lamartine Babo, que tem 27 anos. Essa música será gravada por Sílvio Caldas, que em 1931 tem 23 anos.






Lamartine Babo também compõe Cor de Prata, para oCarnaval. Almirante e Cartola têm 23 anos, Carmen Miranda tem 22 anos, e embarca para a Argentina, onde se apresenta com Francisco Alves e Mário Reis, fazendo muito sucesso. Abaixo, Carmen com Josué de Barros, seu "descobridor":






Ataulfo Alves também tem 22 anos, Adoniran Barbosa e Noel Rosa (abaixo) têm 21 anos. Noel faz sucesso com Com Que Roupa, Eu Vou Pra Vila, Gago Apaixonado e Mulata Fuzarqueira.




Nelson Cavaquinho, Assis Valente e Mário Lago têm 20 anos. Herivelto Martins tem 19 anos e parte para o Rio de Janeiro, após uma briga com o pai (a família mora no Brás, em São Paulo). Luiz Gonzaga também tem 19 anos e é apaixonado por Nazarena. Por causa dessa paixão apanha, foge de casa e se alista no Exército, em Crato, Ceará.  Vinícius de Moraes (foto abaixo) tem 18 anos e estuda na Faculdade de Direito do Catete:




Dorival Caymmi tem 17 anos e trabalha como vendedor de bebidas; Araci de Almeidae Lupicínio Rodrigues também têm 17 anos. Aloysio de Oliveira tem 17 anos e integra o Bando da Lua desde 1929, sendo que em 1931 gravam seu primeiro disco. Aurora Miranda e Orlando Silva têm 16 anos, Dalva de Oliveira tem 14 anos, Linda Batista tem 12 anos, Carmen Costa e Elizeth Cardoso têm 11 anos, Dick Farney tem 10 anos, Nora Ney, Ivone Lara e Dircinha Batista têm 9 anos, Isaurinha Garcia, Emilinha Borba e Francisco Francisco Petrônio têm 10 anos, Altamiro Carrilho tem 9 anos, Teixeirinha tem 7 anos, Tom Jobim tem 6 anos, Ângela Maria tem 5 anos, Johnny Alf e Ronaldo Bôscoli têm 2 anos e Dolores Duran tem 1 ano. Nesse ano nascem o cantor Cauby Peixoto Barros (Cauby Peixoto, Niterói, RJ) e o cantor e compositor João Gilberto Pereira de Oliveira (João Gilberto, Juazeiro, BA). Abaixo,João Gilberto:




Abaixo, Com Que Roupa, de Noel Rosa:


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os Destroços e As Construções de Setembro

O décimo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 é uma data redonda, um maná dos céus para a imprensa. Existe, portanto, uma exuberância celebratória. Mas, como este aniversário acontece em um momento de fragilidade econômica e de crise de confiança na liderança ocidental, uma narrativa constante (com as metáforas inevitáveis) é vincular a derrubada das torres gêmeas do World Trade Center a um colapso econômico.
Ironicamente, uma tese que esvazia um pouco o triste furor comemorativo é que a crise econômica terá mais impacto histórico do que os ataques terroristas do 11 de setembro. Basta ver um artigo na edição corrente de VEJA (um especial de 31 páginas sobre os 10 anos dos atentados, leitura obrigatória!), de Bill Emmott, jornalista e escritor (ex-diretor da revista The Economist). O título é O 15 de setembro de 2008, em referência à quebra do Banco Lehman Brothers, um estopim da crise econômica.
Mas, deixemos este debate detalhado sobre o impacto da crise econômica para 15 de setembro de 2018. No aqui e agora, estamos prestes a ultrapassar os dez anos dos atentados. A data é sóbria e existem questões sobre a validade de vários aspectos da obra no Marco Zero, em particular a construção da nova torre com o nome 1 World Trade Center e o risco de uma localizada bolha imobiliária. Porém, vale muito mais destacar esta mescla de comemoração e renascimento.
Não existem apenas destroços físicos e emocionais. A torre sobe em Manhattan, num desafio ao terror. Claro que esta é uma nação fragilizada, polarizada, frustrada e incerta sobre o seu futuro. Na narrativa do historiador Paul Kennedy, não vai dar outra: os excessos imperiais (e aqui contam custos de guerras americanas sem a devida tributação, sem falar, é claro, das perdas humanas) deverão levar a um declínio inevitável. Sim, o declinio acontece em meio ao que o guru Fareed Zakaria chama de “ascensão do resto”, inclusive o Brasil. No entanto, por favor, não vamos assinar o atestado de óbito dos United States of America ou desmerecer a capacidade de recuperação.
Nesta semana de tanto enfoque sombrio no décimo aniversário de uma data nada querida, vamos ressaltar alguns aspectos positivos: Osama bin Laden está morto, o perigo do terror Al Qaeda sobrevive, mas a rede está enfraquecida e desde aquele 11 de setembro nenhum grande atentado aconteceu nos EUA. Infelizmente, tantas outras sociedades foram vítimas. A infame agenda ideológica de uma jihad global não tem vez contra o Ocidente. Pode causar estragos, mas até no mundo islâmico está desacreditada, embora a mensagem mais moderadamente islamista (como a da Irmandade Muçulmana) tenha appeal e ganhe espaço na primavera árabe.
O Ocidente e sua capital Nova York aguentaram o tranco há dez anos (podemos reconversar sobre aspectos mais complexos do rombo em 15 de setembro de 2018, ao estilo Bill Emmott) e os ataques deixaram destroços, mas, apesar de alguns excessos na guerra contra o terror, prevalecem sólidas instituições democráticas. A rede Al Qaeda não destruiu o nosos modo de vida (inclusive coisas patéticas como o atual nível do confronto político-partidário nos EUA).
Houve o ataque direto em 11 de setembro e existe aquela conversa que o grande plano de Osama bin Laden era fazer a gente sofrer com a hemorragia (inclusive econômica) e morrer. Ele morreu. Viveremos na banda ocidental. É verdade que num clima de mais tempestades econômicas, medo de novos ataques terroristas e competição de modelos que contestam a democracia e o capitalismo liberal, seja nas bandas chinesas, seja em bandas islamistas.
A crise econômica poderá ser longa e brava e o perigo mora em qualquer esquina, em qualquer torre, mas é vital que o valor da democracia liberal permaneça intacto, por todos os setembros adiante.

Fonte: http://veja.abril.com.br/
Fonte: 

domingo, 31 de julho de 2011

Viajando a Paris (Parte 4)

Se um dia você for a Paris, saberá se comunicar? No Youtube, há diversas aulas de francês. Agorinha mesmo, estava vendo uma, que ensina a falar Salut (oi), Ça va (Tudo bem) e et toi (e você). Então, se um francês lhe perguntar Ça va (Tudo bem?), você pode responder Ça va, et toi? (Tudo bem, e você?). Simples não é? O endereço é esse: http://www.youtube.com/watch?v=DKVf3Wo2BUI&feature=related

No último post, eu havia parado em frente ao McDonald's, e em frente ao Val-d'Oise. Na verdade, Val-d'Oise é um departamento francês, e o Aeroporto Charles de Gaulle fica nele. A França é dividida em 101 departamentos (département, em francês), e o Val-d'Oise é o de número 95 (http://fr.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9partements_fran%C3%A7ais)

Agora, sigo pela Avenue de Stalingrad, em direção a Paris. Do meu lado direito, uma cerca de metal verde, separando a Avenue do mato; do outro, casas e sobrados simples:


Em seguida, vejo um posto de gasolina, onde leio Bienvenue (Bem vindo), um Restaurant com Karaokê (na esquina da Rua Pasteur com a Avenue de Stalingrad) e uma concessionária da Mercedes Benz. Depois, chego à Avenue de Stalingrad Déviation (um desvio). Após esse desvio (que é um elevado), volto a trafegar normalmente. Agora, sinto um ar de modernidade. Aquelas casas mais antigas foram substituídas por pequenos prédios de apartamentos:


Agora o movimento começa a aumentar: carros, motocicletas, pessoas nas calçadas, barulho...Acho que estou me aproximando do centro:


Agora, cheguei na esquina com a Avenue Division Leclerc.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Viajando a Paris (Parte 3)

Você sabe quanto está uma viagem a Paris? Pela CVC, 9 dias em Paris saem por R$3341,52. E isso pode ser pago em várias vezes, no cartão. Sabem porque falo isso? Para que você veja que viajar para a Europa, para a França, para Paris, não é impossível...

http://www.cvc.com.br/site/turismo/1,87,,n,paris - preços de hoje - 15 de julho de 2011

E para fazer o passaporte? http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/requerer-passaporte

O segundo passo é obter o visto no Consulado da França, que em Curitiba, fica nesse endereço:


Consulado Honorário da França em Curitiba - PR

Rua Fernando Amaro, 154 - 1º andar - Sala 13 - Maison de France - Espaço "A Fábrika" - Alto da XV
CEP 80045-080 - Curitiba - PR
telefone/fax (0xx41) 3024-0841
Expediente: 5ª feiras das 9:30 às 12:30h

Viu? Nem é tão impossível assim....agora, continuemos com nossa "viagem". No último post, paramos em frente à Eglise Saint Denys. Dali, vamos seguir pela Avenue de la République, em direção ao Sul. Eu olho para trás, e vejo a eglise ficando cada vez menor:


Agora não há muito que ver, já que há muitas árvores e arbustos encobrindo as casas. Mais uma quadra, e chego a uma grande rotatória, chamada de Rond-point du Christ. Ali, faço a volta e sigo pela Avenue de Stalingrad. Essa Avenue irá me levar em direção a Paris (estou perto do Le Bourget, o antigo Aeroporto). Segundo um mapa que vi, essa é a área mais pobre de Paris, onde vivem os imigrantes e os habitantes de baixa renda (ganham 16 mil euros/ano). Só vejo mato e um pequeno símbolo, na beira da estrada. Acho que alguém morreu acidentado ali, e fizeram como fazem no Brasil:


Logo vejo uma grande estrutura. Pensei que fosse um shopping, mas é a Brico, uma loja que tem desde móveis até materiais elétricos e hidráulicos, e outras coisas, para construção:  


Depois, passo por um viaduto e continuo pela Avenue de Stalingrad. Percebo casas simples, mas todas de material. E, em seguida, uma cena interessante: o Groupe Scolaire Jean Jaurès, também conhecido como Ecole Elémentaire. Jean Jaurès (1859/1914) foi um dos fundadores, em 1902, do Partido Socialista Francês, e foi assassinado no início da Primeira Guerra. Agora, cede seu nome a uma Escola Primária. E percebo que a mulher que leva a criança para a escola usa um hijab (véu) na cabeça, demonstrando ser muçulmana. Se levarmos em consideração que essa é uma área de imigrantes empobrecidos...


Engraçado. Agora tenho a sensação de estar no "mundo real", pois vejo mães levando seus filhos à escola, carros parados na frente das casas, pessoas andando, esperando ônibus, caminhando, roupas nos varais..Até agora, esse cotidiano não estava ainda tão visível...Mas aqui, sinto isso. Agora, chego à esquina com a Avenue du Général de Gaulle, onde fica o Lycée Simone de Beauvoir (foto abaixo):


Definitivamente, estou na França. Charles de Gaulle e Simone de Beauvoir são dois nomes importantes, na cultura francesa. E a Avenue de Stalingrad continua. Duas coisas que percebi aqui: há muitos muçulmanos (vi vários) e empresas de automóveis (Renault, Fiat, Wolkswagen e Suzuki). E agora encontrei um McDonald's em Paris: 


Esse fica na Avenue de Stalingrad, bem em frente ao Val-d'Oise.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Viajando a Paris (Parte 2)

Gostou de nossa "viagem" a Paris? E que tal continuarmos? Lembrando que, na parte 1, saímos do Aeroporto Charles de Gaulle, e nos dirigimos para o cetro da cidade, chegando à Rue de Paris, em frente a um pigeonnier (pombal). Vamos seguir daí em diante.

Uma quadra depois do pigeonnier, chego a um cruzamento: ao Norte, a Avenue Robert Schuman; ao Sul, a Rue Nungesser et Coli; a Leste, a Rue de Paris e a Oeste, a Avenue Raymond Rambert, que é para onde irei.


Logo no início da Avenue Raymond Rambert, vejo várias lojas, do lado direito. Entre elas, o Cafe-Bar-Restaurant Mediterranee (foto abaixo), e percebo que não é tão difícil se localizar, por aqui. O trânsito, as ruas, o comércio, me lembram muito o que tenho de referência, no Brasil. Então, fica tudo mais fácil...


Mas uma coisa que é diferente, e acho que completa o encanto que Paris exerce sobre as pessoas, é o estilo arquitetônico. Observe, na foto abaixo, essa casa, que fica do lado esquerdo da Avenue Raymond Rambert. Os tijolos ao redor das janelas, as janelas de cima, redondas, as chaminés, tudo parece nos remeter à outra época, outra era...e isso só é possível num país que tem longa história, e a preserva...


Depois dessa casa, a rue por onde estou trafegando, fica mais bonita, cheia de árvores, arbustos e flores. Acho que a jardinagem é um dom dos franceses, e logo lembro dos jardins de Versalhes. Observe a foto abaixo. Essa calçada fica à margem da Rue Raymond Rambert, alguns metros depois da casa que vimos na outra foto. Veja o cuidado com que os franceses cuidam de suas calçadas...


Agora, cheguei ao fim da Rue Raymond Rambert. Daqui em diante, ela passa a se chamar Avenue de la République. Continuo no sentido Oeste. Passo por uma rotatória, vejo um posto da Esso do lado esquerdo, um sobrado do lado direito, e sigo em frente. Ao lado dessa avenue, tem uma rue, a Rue du Professeur Esclangon, que a acompanha de forma paralela:


Paris tem alguma coisa de pitoresca, nessa região. Se você olhar de forma geral, não percebe muito. Mas, quando olha os arbustos, as construções, as grades, as cercas, os detalhes, começa a sentir um pouco da atmosfera dessa cidade...

Cheguei a outra rotatória, onde há uma fonte, chamada Fontaine à Arnouville-lès-Gonesse. Segundo a Wikipédia, Jean-Baptiste de Machault de Arnouville (1701/1794) trabalhou em diversas funções, no Governo do Rei Luis  XV. Seu nome foi dado ao município de Arnouville, e a fonte é um de seus monumentos históricos, tendo sido construída em 1745.


Abaixo, a Fontaine à Arnouville-lès-Gonesse:




Logo que passo a rotatória, vejo uma brasserie, a Brasserie de La Fontaine. Para os franceses, uma brasserie pode ser tanto um restaurante como uma cervejaria. e nessa brasserie tem a marca da cerveja Heineken. Você pode pedir uma cerveja Heineken e sentar-se numa daquelas mesinhas, que ficam do lado de fora. Repare na rotatória, ao fundo:


Vamos seguir em frente. Nesse trecho, a Avenue de la République vira uma viela, com sobrados fechando ambos os lados, e pouca visibilidade para além. Uma quadra depois, outra rotatória. Começo a achar que franceses adoram rotatórias, ou as ruas da cidade são muito complexas, por isso tantas...Viro a direita na rotatória e fico diante de mais um ponto turístico da região, a église Saint Denys.


 Como você pode ver, tirei essa "foto" como se estivesse na rotatória. A rua que está na minha frente é a Avenue de la République. Essa viela onde estão os carros estacionados é a Rue du Ratelier. As placas indicam a eglise, que foi construída em 1782 por Jean-Baptiste Chaussard, e o cheteau (castelo), que fica mais adiante. Esse chateau era a residência de Jean-Baptiste de Machault de Arnouville:




E com esse trio de locais turísticos (a fontaine, a eglise e o chateau), terminamos a segunda parte de nossa viagem...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Viajando a Paris (Parte 1)

Outro dia, realizei uma "viagem no tempo virtual", e fui para o ano de 1811, cem anos no passado. Hoje, vou realizar uma viagem no espaço, e vou "conhecer" Paris, capital da França...

Primeiramente, temos que viajar de avião até a França, e desembarcar no Aeroporto Charles de Gaulle:


Sairemos do Aeroporto pela Route des Baudauds, em direção oeste. Observo o estacionamento à minha esquerda (na foto acima), mas ainda não tive a sensação de estar na França...Um pouco mais à frente, chego a um viaduto, a outro, e vejo uma placa, indicando que a a rodovia A1 me levará a Paris...voilá! Estou na França!!!! Agora, vou em direção à Avenue Charles de Gaulle:


Essa foto foi tirada logo no início da Avenue Charles de Gaulle. A rua que você vê à esquerda é a Aillée du Verger. A gente dá uma voltinha (há uma "ilha") e segue em frente. Interessante: apesar de estar na capital do país, a sensação que tenho, ainda, é a de estar numa cidadezinha do interior. Olhe a foto abaixo. Não parece uma cidadezinha menor? Mas é o início da Avenue Charles de Gaulle. Vamos adiante:


Vejo o Restaurant Japonais Oishii (direita), a Chemin de Montmorency (rua, à direita), o Bar Le Grill (esquerda), e percebo que há algo estranho...estou na contramão!!!! Entro por uma viela, para sair em outra rua. É a Rue Claude des Mesmes (foto abaixo), que desemboca na Rue Chalot:


Ambas são ruas com calçamento de pedra, que dão um ar pitoresco ao local. As casas têm aparência de antigas, mas os carros, parados em frente, são bem modernos. Ando mais um pouco e saio na Rue Houdart, que segue na direção que procuro (oeste). Passo pelo Petit Casino, uma espécie de mercearia, que expões frutas na frente da loja, em frente ao Moonsushi, e perto da Rue Dorval. Paro na esquina e observo:


À esquerda, fica a Rue Dorval. Em frente, segue a Rue Houdart, em direção ao centro, e à direita, é a Rue Jean Moulin. As construções são tipicamente francesas...sigo em frente...vejo uma "pharmacie" (direita) e vários casarões antigos...a sensação de estar numa cidade do interior permanece...agora, chego a um cruzamento: a Rue Houdart se encontra com a Charles de Gaulle...ótimo!


Na foto abaixo, a Charles de Gaulle é a da esquerda, e eu vou seguir em direição à direita. A "eglise" ("igreja") que você vê ao fundo é a Roissy en France (um dos pilares dessa igreja é de 1574):


Estou novamente na Charles de Gaulle, que agora é que se torna avenue. Até então, era rue...E, repentinamente, vira rue novamnete...que confusão! Mas, sigo em frente, e vendo que Paris não é muito diferente, pelo menos até aqui, do que eu conheço no Brasil. Vejo algo com o nome Volvo, e logo em seguida saio numa área de plantações...pelo que entendi, Roissy en France é uma espécie de subúrbio ou algo assim, a leste de Paris...


Como você vê, é um trecho sem construções, apenas campos arados e plantações. Calculo que deve ter uns 2,5 Km. Finalmente, vejo algo: é o Grill du Relais (um restaurante), à direita. Agora, viro à esquerda, para seguir para Paris. Sigo a Route de Flandres, passo pelo Hotel Ibis Gonesse (esquerda), e mais à frente viro à direita, para sair na Route Départementale. Sigo em frente, até a rotatória, e saio na Rue Nungesser et Coli, viro à direita na Rue Berthelot e sigo até a Rue de Paris:


É nessa rua que fica o Hôtel de Ville e o Pigeonnier:


O Hôtel é, na verdade, a Câmara Municipal de Gonesse, nome dessa região onde estou. Não é um hotel para se hospedar...


E o Pigeonnier é, na verdade, um pombal, local destinado à moradia das pombas (pigeons). Eles eram construídos para que se "prendessem" as pombas na época de semeadura, e também para recolher o esterco delas...

Vou parar nossa "viagem" por aqui. Num outro post, continuamos, ok?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Que Significa "Cativar"?



E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

Sinto-me responsável por todos aqueles que eu cativei, ou que me cativaram. Isso é fácil? Não. Por vezes deixo de cuidar bem de cada um, com carinho e atenção que merecem. Mas cada amigo é para mim algo inestimável. É a grande oportunidade de aprender e de crescer como pessoa.Há pessoas que são um equívoco, que talvez eu não soubesse cativar, ou que talvez eu reconhecesse nelas as minhas fraquezas e defeitos, e sendo assim eu descartei, deixei de lado de uma vez. Outras o tempo e espaço separaram, mas são como o trigo para mim, uma simples recordação me remete aos bons momentos juntos.Eu amo todos que me cercam. Gostaria que todos soubessem, caso eu não tenha dito. As palavras, às vezes ficam travadas em nossa garganta, simplesmente não saem. Mas quando me encontrar, saiba que é com um grande abraço que retribuirei tua amizade.


Fonte: http://colardelivrespensamentos.blogspot.com/2006/09/o-pequeno-prncipe-e-raposa.html